Judas Iscariotes
JUDAS ISCARIOTES
Escrever sobre Judas Iscariotes foi uma ideia que surgiu em mim no ano de 2007, durante um churrasco na casa de um amigo.
Na ocasião, estava presente um jovem que cursava faculdade de direito. Ao saber do meu interesse por temas bíblicos, ele me disse:
“Fale sobre Judas Iscariotes, mas não somente na bíblia, fale também fora dela”.
Outra pessoa me falou: “Uma vez o destino a ser cumprido, podemos condenar Judas Iscariotes?”.
“O DESTINO A SER CUMPRIDO...”.
A profecia estava destinada ao cumprimento, mas o homem que seria selecionado para torná-la cumprida, não. Não havia um nome, um DNA, predestinado ao erro. Havia uma profecia em busca de um homem insensato que se encaixasse na terrível forma que a profecia constituía, alguém que já estava com o pé no inferno por conta de suas próprias atitudes.
Judas foi um homem inconsequente, do tipo que acredita poder cometer erros, faltar com respeito às pessoas e ainda dar boas gargalhadas no final de tudo. Muitos “Judas” já existiram antes daquele escolhido para representar o filho da perdição, e hoje, em nossos dias, muitos “Judas” circulam por aí na mesma loucura, esperando apenas que seus olhos se abram tarde demais, para que acordem também tarde demais da maldade que tanto amam e insistem em praticar. Se a profecia bíblica dissesse: Os filhos da perdição em vez de o filho da perdição, então hoje não seria necessário condenar alguém ao inferno apenas para que a profecia se cumprisse. Isso porque muitos homens, mesmo sem serem destinados ao papel de traidores de Cristo, já têm se reservado ao inferno por conta de suas próprias atitudes. E não foi diferente com o Judas Iscariotes: ele foi condenado ao inferno não por conta da profecia, mas porque preenchia todos os requisitos de um homem, de qualquer forma, condenado ao inferno por suas próprias atitudes.
Judas foi um homem desonesto. João 12:1-6, diz isso, conforme lemos:
- 1 Seis dias antes da Páscoa Jesus chegou a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos.
- 2 Ofereceram-lhe um jantar. Marta servia, e Lázaro estava entre os que se reclinavam à mesa com ele.
- 3 Então Maria tomou uma libra de um nardo puro, um perfume muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E toda a casa se encheu com a fragrância do perfume.
- 4 Mas um dos discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde o trairia, objetou:
- 5 “Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários, e não se deu aos pobres?
- 6 Ele disse isso, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, MAS PORQUE ERA LADRÃO; TENDO A BOLSA, TIRAVA O QUE NELA SE LANÇAVA”.
Judas via em Jesus uma fonte de renda. Ele tinha um discurso de socialização, mas o que gostava mesmo era de capitalizar. Já tinha até comprado um sítio com o dinheiro que roubava. Atos 1:18ª: “ORA, ESTE ADQUIRIU UM CAMPO COM A RECOMPENSA DA INIQUIDADE...”. Obstinado, fez-se capaz de tudo e de qualquer coisa para capitalizar, mas se envolveu com a pessoa errada. Na Bíblia, Deus diz que os ladrões não herdarão o reino dos céus (ICo. 6:10a).
Judas não foi ladrão porque foi o escolhido, ele foi o escolhido porque era um ladrão, alguém que já estava com o pé no inferno, caminhando pelo caminho largo da perdição (Mt 7:13-14) onde ninguém está autorizado a estar sem correr o risco de se dar muito mal no final.
Ser o escolhido para representar o traidor do Cristo era um caminho sem volta: uma vez escolhido, escolhido para sempre. Ele era o filho da perdição; portanto, teria que se perder. Jesus disse que ele se perdeu (João 17:12). Somente um homem seria escolhido. Se fosse Pedro, seria Pedro e Judas não se perderia; se fosse João, seria João e Pedro não se perderia. Se fosse Judas, seria Judas e nenhum outro discípulo se perderia. Mas foi Judas e ele se perdeu porque havia uma sentença de perdição predeterminada para este erro.
O diabo estava rugindo como um leão, buscando a quem pudesse devorar, e o Judas estava ali, maquinando maldade, sendo o candidato perfeito para o cumprimento da profecia. Deus permitiu que ele fosse o escolhido.
Judas estava no lugar onde alguém seria escolhido para representar o filho da perdição e acabou se destacando, por mérito próprio.
“O DESTINO A SER CUMPRIDO...”.
“Estando eu com eles no mundo, guardei-os no nome que me deste. NENHUM DELES SE PERDEU, SENÃO O FILHO DA PERDIÇÃO, PARA QUE SE CUMPRISSE A ESCRITURA” (João 17:12).
Por que será que Deus estabeleceria uma profecia onde um homem indefinido seria tragicamente condenado ao inferno?
A resposta a essa pergunta torna-se clara quando consideramos algumas características de Deus reveladas na bíblia. Observe:
A Bíblia revela que o Criador dos céus e da terra é um Deus que prova suas criaturas; são muitos os textos que revelam o caráter provador de Deus em relação ao ser humano.
O Criador é um Deus fiel, que ama a fidelidade, e ama tanto que testa seus filhos em relação a ela, como alguém que quer separar a joia rara da bijuteria, o trigo do joio, o fiel do infiel. Todos os candidatos aos céus serão provados, mas somente os aprovados herdarão a vida eterna. Deus prova.
Deuteronômio 8:2, diz: “Lembrar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, PARA TE HUMILHAR E TE PROVAR, PARA SABER O QUE ESTAVA NO TEU CORAÇÃO, SE GUARDARIAS OU NÃO OS SEUS MANDAMENTOS”.
Deus abençoou Abraão, e disse que ele seria pai de muitas nações, mas antes PROVOU-O:
“Depois destas coisas, PROVOU DEUS A ABRAÃO, dizendo-lhe: Abraão! E este respondeu: Eis-me aqui. Então disse Deus: Toma o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te mostrarei”. “Chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali o altar, e sobre ele pôs em ordem a lenha. Amarrou Isaque, seu filho, deitou-o no altar, em cima da lenha, e, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar o filho. Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão! Abraão! Respondeu ele: Eis-me aqui. Então disse o anjo: Não estendas a tua mão sobre o rapaz, e não lhe faças nada. AGORA SEI que temes a Deus, pois não me negaste o teu filho, o teu único filho” (Gn 22:1-2; 9-12).
O anjo disse: “...AGORA SEI...”.
Deus é onisciente, Deus sabe todas as coisas, mas o ser humano, assim como os anjos, não. Através da prova o ser humano pode saber se é ou não fiel a Deus.
Continuando: “Por que será que Deus estabeleceria uma profecia onde um homem seria tragicamente condenado ao inferno?”.
O ser humano foi formado com um recurso impressionante chamado inteligência.
Em tese, inteligência é uma capacidade que gera a habilidade de raciocinar, planejar, inventar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas e aprender rapidamente. Qualquer ser que não possua essa capacidade, ainda que apresente algumas propriedades da inteligência, não é considerado inteligente. Inteligência é o conjunto mínimo total de propriedades que geram a capacidade. Por exemplo, apenas nós, seres humanos, criamos aviões, carros, sondas espaciais, mansões, lâmpadas, navios, escrita, computadores e inteligência artificial, a qual, inclusive, foi criada pelo único ser inteligente da face da Terra, que é o ser humano. Multiplicamos nossa própria inteligência.
Para que Deus formasse o homem com inteligência, era necessário formá-lo com liberdade. Inteligente e sem liberdade, o homem seria uma mentira de Deus na face da Terra, e Deus não mente. Ele poderia ter criado uma mula dominada por freio e cabresto ou criado o homem com liberdade como consequência da inteligência.
O homem domina sobre a mula por ser inteligente e também porque ela não é dotada de inteligência. Mas veja o que aconteceu quando Deus implantou inteligência em uma jumenta por alguns instantes.
Deus estava aborrecido com as atitudes de um homem chamado Balaão. O texto diz:
“Mas a ira de Deus se acendeu quando ele se foi, e o anjo do Senhor postou-se no caminho para barrar-lhe a passagem. Ele ia caminhando, montado na jumenta, e dois de seus moços com ele. Viu a jumenta o Anjo do Senhor, que estava no caminho com sua espada desembainhada na mão, pelo que a jumenta se desviou do caminho, e foi pelo campo. Então Balaão espancou a jumenta para fazê-la voltar ao caminho”.
Balaão espancou a jumenta por três vezes. E o texto continua:
“ENTÃO O SENHOR ABRIU A BOCA DA JUMENTA, e ela disse a Balaão: QUE TE FIZ EU, QUE ME ESPANCASTE JÁ TRÊS VEZES? Respondeu Balaão à jumenta: É porque zombaste de mim. Se eu tivesse uma espada na mão, agora te mataria. A jumenta disse a Balaão: PORVENTURA NÃO SOU EU A TUA JUMENTA, EM QUE TODA A TUA VIDA CAVALGASTE ATÉ HOJE? TENHO EU O COSTUME DE AGIR ASSIM CONTIGO? Ele respondeu: Não. Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do Senhor parado no caminho, tendo a espada desembainhada na mão. De modo que ele se inclinou, e prostrou-se com a face em terra” (Nm 22:22,28-31).
A jumenta só faltou chamar o Balaão de burro.
Viu o que acontece quando uma criatura recebe inteligência? Torna-se livre: pensa, argumenta, defende-se e toma decisões.
E se a jumenta continuasse com inteligência por um longo tempo, será que ela continuaria sendo fiel a Balaão, seu mau Senhor?
E se Balaão descobrisse que animais inteligentes são complexos e que nem sempre são fieis a seus Senhores, mesmo sendo eles muito bons; mas descobrisse que há animais inteligentes e fieis a seus Senhores, independentemente do que eles sejam? Nasceria então em Balaão o desejo e a necessidade de provar suas criaturas, com o objetivo de identificar o que tem diante de si: criaturas obedientes ou desobedientes; fieis ou infiéis.
Deus só tem coisas boas para o ser humano.
Deus é perfeito em bondade; Ele ama, corrige, defende e protege. Mas nós, seres humanos, nem sempre somos fieis ao nosso Senhor. E Deus, por ser santo e perfeito em fidelidade, exige também fidelidade de nós.
Deus nos oferece a vida eterna, mas ninguém é obrigado a aceitar a vida oferecida por Ele. Mas, para aqueles que desejam receber a vida eterna das mãos de Deus, está reservado passar por provas, enfrentar verdadeiros testes de fidelidade.
Nem o Senhor Jesus Cristo escapou. O texto de Mateus 4:1, diz:
“Então Jesus FOI LEVADO PELO ESPÍRITO SANTO ao deserto, PARA SER TENTADO pelo diabo”.
É o caráter provador de Deus concernente ao ser humano.
DEUS CALCULA TUDO.
Jesus Cristo disse:
“Se algum de vós esta querendo edificar uma torre, NÃO SE ASSENTA PRIMEIRO A FAZER AS CONTAS DOS GASTOS, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei NÃO SE ASSENTA PRIMEIRO PARA CALCULAR...” (Lc 14:28-31).
Devemos estudar o diabo para melhor combatê-lo; calcular antecipadamente: assentar-se primeiro.
Agora você está assentado primeiro, mas o tema que estamos abordando é: POR QUE DEUS ESTABELECERIA UMA PROFECIA EM QUE UM HOMEM SERIA TRAGICAMENTE CONDENADO AO INFERNO?
E, para tratar disso, também estamos falando sobre: O CARÁTER PROVADOR DE DEUS em relação ao ser humano.
Jesus ensinou que os reis se assentam primeiro para calcular. Deus é Rei, é o Rei dos reis, e assentou-se primeiro, conforme lemos:
“...reino que vos está preparado DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO” (Mt 25:34);
“...conhecido DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO” (1Pedro 1:20);
“...Cordeiro, que foi morto DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO” (Ap 13:8);
“Pois nos elegeu nele ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO...” (Ef. 1:4a); e muito mais.
Houve uma assembleia no céu antes da fundação do nosso mundo para o planejamento de todas as coisas relacionadas à criação. Nessa reunião, uma decisão foi tomada: o ser humano seria formado com inteligência e liberdade.
Era um grande desafio para o Criador: uma raça inteligente poderia se considerar demasiadamente dona de si mesma e de qualquer situação. Uma raça inteligente poderia tornar-se rebelde, acreditando-se sábia demais.
Olhando para o futuro, Deus viu que haveria muitos que virariam as costas para o seu Criador. Ele também percebeu que essa raça inteligente e livre se tornaria muito exigente e que facilmente se rebelaria contra o seu Senhor. Deus viu que haveria obedientes e desobedientes, trigo e joio, ovelhas e lobos, fiéis e infiéis, filhos e não-filhos, entre outros títulos.
Então, outra decisão foi tomada na assembleia: Muitos seriam chamados, mas poucos escolhidos. Muitos seriam chamados à existência, mas somente os fiéis, os aprovados, herdariam a vida eterna; somente os obedientes herdariam a vida. Todos teriam condições de ser obedientes, todos seriam livres!
Mas como identificar o fiel do infiel? Como saber se o fiel é verdadeiramente fiel, a vida toda? Prova neles!
“Os que estão sobre pedras são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas como não têm raiz, APENAS CRÊEM POR ALGUM TEMPO, e NA HORA DA PROVAÇÃO SE DESVIAM” (Lc 8:13).
E então ficou decidido: o ser humano passaria por provas!
Uma pessoa que nega o caráter provador do Pai do Senhor Jesus Cristo em relação ao ser humano pode ser qualquer coisa na vida, menos cristã:
“Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o passardes por provações. Sabendo que a prova da vossa fé desenvolve perseverança. Bem-aventurado o homem que suporta a provação, PORQUE DEPOIS DE TER PASSADO NA PROVA, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu AOS QUE O AMAM” (Tiago 1:2-3,12).
Nesse contexto, Deus formou o homem com inteligência e o colocou no jardim do Éden, onde também colocou a obediência e a desobediência.
A obediência era representada pela possibilidade de o homem permanecer no estado em que foi criado, isto é, renunciando à maldade, à luxúria, mantendo-se longe do fruto da árvore.
A desobediência era representada pela possibilidade de o homem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, fruto este que o homem não poderia comer, visto que o Criador havia ordenado:
“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gn 2-16).
Deus colocou a obediência e a desobediência no jardim do Éden para honrar a inteligência e o livre arbítrio com os quais o homem havia sido formado.
Um ser livre precisa de, no mínimo, dois caminhos diante de si, pois, se houvesse somente um caminho a seguir no planeta Terra, o homem o seguiria naturalmente; talvez não por obediência, mas por falta de opção.
Então, Deus colocou a fidelidade e a infidelidade diante do homem e criou a serpente do Éden com a mesma intensidade de inteligência do homem.
Deus não se deixa enganar: um ser inteligente só poderia ser tentado verdadeiramente por outro ser também inteligente.
A competência do tentador identifica o nível de qualidade do alvo a ser testado, determinando com segurança se se trata de joia rara ou bijuteria, fiel ou infiel, obediente ou desobediente.
Você levaria uma corrente que acabou de encontrar a uma farmácia para saber se é ou não ouro, ou a uma joalheria?
A serpente do Éden oferecia a Deus a possibilidade de testar o homem através de um ser qualificado para tal, tão inteligente quanto o próprio homem.
E mais ainda: ela ofereceria a possibilidade de o homem ser tentado por alguém a quem ele teria grande consideração, quase como um grande amigo da família; pois qualquer pessoa naturalmente diria não se fosse tentada por um inimigo explícito e assumido. Salmo 55:12-14: “Se fosse um inimigo que me afrontava, eu o teria suportado; se fosse um adversário que se engrandecia contra mim, dele me teria escondido. Eras, porém, tu, homem como eu, meu guia e meu íntimo amigo. Conversávamos juntos suavemente e íamos com a multidão à casa de Deus”.
Assim, a serpente do Éden representaria um grande amigo do homem, um parceiro sempre próximo, seguro, mas que na verdade seria um grande traidor.
Isso, no entanto, não justificaria a desobediência do homem, porque ele não seria tentado acima da sua capacidade de obedecer, conforme o critério do Criador referente a tentação:
“NÃO VEIO SOBRE VÓS TENTAÇÃO, SENÃO HUMANA. E FIEL É DEUS, QUE NÃO VOS DEIXARÁ TENTAR ACIMA DO QUE PODEIS RESISTIR, ANTES COM A TENTAÇÃO VIRÁ TAMBÉM O ESCAPE, PARA QUE A PODEIS SUPORTAR” (1Co 10:13).
Deus não criou a serpente para o mal, mas a fez com livre-arbítrio.
Então Satanás tentou a serpente e conquistou-a para si, tornando-a cúmplice da sua maldade contra o homem. Dessa forma, aquela serpente, que antes fornecia a Deus apenas a possibilidade de o homem ser tentado por um ser qualificado, agora fornecia a tentação propriamente dita.
A serpente era astuta e fez-se passar por amiga do homem para induzi-lo ao erro. Satanás escondia-se dentro da serpente.
Observe que existe uma semelhança entre a serpente do Éden e Judas Iscariotes. A serpente foi o “Judas” na vida de Adão. E o “Judas” foi a serpente na vida de Jesus. Símbolos de enganação e traição.
Adão caiu no engano da serpente e foi reprovado no teste, mas Cristo não se deixou enganar por Judas e foi aprovado no teste.
Deus prova. E provou Adão através da serpente: um falso amigo. E provou Cristo através de Judas: um falso discípulo.
A morte reinou por causa da desobediência de Adão. A vida reina por causa da obediência de Cristo. A Bíblia diz que Cristo é o segundo e último Adão.
“Pois assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois assim como todos morrem em Adão, Assim também todos serão vivificados em Cristo”. “Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, espírito vivificante”. (1Co 15:21-22,45).
A possibilidade de o homem ser testado por um ser competente era um dos custos da verdade de Deus para a criação de uma raça inteligente e livre. O homem seria provado, e, se o primeiro Adão foi provado por um ser astuto, o segundo Adão, Cristo, também deveria ser.
Da mesma forma que Deus não havia feito a serpente para o mal, foi a própria serpente que decidiu enganar a Eva, e Deus, inclusive, a reprovou por isso, conforme está escrito:
“Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Disse, pois, o Senhor Deus à serpente: “PORQUE FIZESTE ISTO, MALDITA ÉS”. (Gn 3-12).
Igualmente, Deus não havia criado Judas para o mal, mas foi o próprio quem decidiu trair Jesus, e Deus o reprovou também.
Deus reprovou a serpente porque ela fez, e reprovou Judas porque ele também fez. “PORQUE FIZESTE...”, disse o Senhor.
A serpente e Judas não estavam incumbidos de agir dessa forma. Eles podiam fazer apenas no sentido de ter ao alcance das mãos, devido ao livre- arbítrio, mas, na verdade, estavam proibidos de fazer isso. Contudo, fizeram e foram condenados. Se não tivessem feito, não teriam sido condenados; e podiam escolher não fazer: eram livres! Mas fizeram e foram condenados.
Deus estabeleceu uma profecia em que um homem seria tragicamente condenado ao inferno porque seria justo que o segundo adão, Cristo, fosse provado de forma semelhante ao primeiro.
Deus é justo, e, se o diabo teve uma serpente na vida do primeiro Adão, seria justo que tivesse também na vida do segundo. Ele não abriria mão disso e, de fato, reivindicou o direito de tentar de forma eficaz.
O diabo não abriu mão nem da primeira nem da segunda serpente.
Imagino que o Judas tenha se sentido um grande tolo quando, depois de morto, descobriu que escolheu agradar, ao invés de agradar a Deus, exatamente aquele que era o causador e único interessado em sua desgraça.
E Deus, que é justo, não poupou o Cristo, como se Ele fosse “o filho protegidinho de Deus”.
Deus ama tanto a justiça que disse a respeito de seu filho:
“Se o meu justo recuar, não terei eu prazer nele” (Hb 10:38).
E providenciou uma “serpente” para a vida de Seu Filho, e Judas Iscariotes foi o escolhido porque era desonesto. Se fosse honesto não teria sido o escolhido. Deus estava procurando uma serpente enganadora e encontrou Judas Iscariotes.
Judas era o sujeito ideal para a profecia. Os dois se completavam. Satanás exigia o direito de tentar de forma eficaz, exigia um traidor, e não era difícil encontrar um, pois havia muitas “serpentes” ali, muitos “Judas Iscariotes”. Os escribas e os fariseus foram chamados de serpentes, raça de víboras, religiosos falsos. Pareciam amigos de Deus, mas na verdade não eram. Jesus disse dos escribas e dos fariseus:
“Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mateust 23:33).
Judas parecia ser amigo de Deus, mas na verdade não era. Em João 13:27, lemos: “Entrou Satanás em Judas”.
Cabia a Cristo usar a inteligência e a liberdade herdadas de Deus para livrar-se das astutas ciladas do diabo, assim como cabe a nós fazer o mesmo.
JUDAS ISCARIOTES.
Agora que Judas Iscariotes já foi condenado, e não há mais possibilidade de outro ser o traidor de Cristo, podemos dizer que a história de Judas Iscariotes começa no livro de Gênesis, quando Adão e Eva ainda estavam no Jardim.
A primeira profecia está lá. Observe o texto:
“Disse, pois, o Senhor Deus, à serpente: Porque fizeste isto, maldita és entre todos os animais domésticos, e entre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e O SEU DESCENDENTE; ESTE TE FERIRÁ A CABEÇA, E TU LHE FERIRÁS O CALCANHAR” (Gn 3:14-15).
Sabemos que a frase “...O SEU DESCEDENTE...” (no singular) se referia ao Senhor Jesus Cristo, que seria enviado por Deus ao mundo e nasceria de mulher. O que de fato aconteceu, conforme lemos:
“Ora, o nascimento de Jesus foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu marido, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu deixa-la secretamente. Projetando ele isto, em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta: A VIRGEM (MULHER, PORQUE CRISTO NASCERIA DA MULHER) conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (Mt 1:18-23).
“...O SEU DESCENDENTE; ESTE TE FERIRÁ A CABEÇA, E TU LHE FERIRÁS O CALCANHAR”.
Satanás e a serpente haviam se tornado uma só criatura no sentido da maldade contra o homem. Ambos tinham o mesmo objetivo: desfigurar o homem. A serpente, então, tornou-se uma marionete na mão do diabo.
Portanto, devemos pensar muito mais em Satanás do que na serpente ou em Judas Iscariotes quando considerarmos o alvo de ataque do Senhor Jesus Cristo contra o mal.
Quando Jesus Cristo disse: “O QUE ESTÁS PRESTES À FAZER, FAZE-O DEPRESSA”, ele estava olhando muito mais para o Satanás do que para o Judas Iscariotes, conforme lemos:
“Assim que Judas tomou o pão, ENTROU NELE SATANÁS. DISSE-LHE JESUS: O QUE ESTÁS PRESTES À FAZER, FAZE-O DEPRESSA” (Jo. 13:27).
Jesus não fugia da profecia. Satanás feriria o calcanhar de Cristo: estava escrito e ponto final.
Judas foi a “serpente” da vida de Jesus, e a profecia de Gn 3:14-15 referia-se àquele que estava dentro da serpente.
Então a profecia: “O SEU DESCEDENTE; ESTE TE FERIRÁ A CABEÇA, E TU LHE FERIRÁS O CALCANHAR”, ficaria assim: “SATANÁS, JESUS CRISTO FERIRÁ A TUA CABEÇA, E VOCÊ FERIRÁ O CALCANHAR DE JESUS CRISTO”.
E COMO FOI QUE O SATANÁS FERIU O CALCANHAR DO SENHOR JESUS CRISTO?
Perseguindo-o até que seus pés carnais não mais estivessem pisando na face da Terra, Satanás sabia que a presença do Cristo na face da Terra era poderosa, e quanto menos Cristo falasse, melhor seria para o reino de Satanás. Se dependesse de Satanás, Cristo nem teria cumprindo seu ministério na Terra; teria morrido ainda criança, pelas mãos de Herodes. O objetivo do Satanás era que a vinda do Messias passasse despercebida. Ele precisava afastar o Senhor Jesus Cristo da face do planeta. Apenas três meses pregando o evangelho, por exemplo, já seriam terríveis para o reino de Satanás, mas Jesus Cristo pregou por três anos, até que o Pai permitiu que ele fosse afastado da Terra.
Mas Cristo queria permanecer ainda mais aqui. Ele orou para que o cálice fosse afastado, pediu ao Pai por mais tempo de ministério na Terra. Ele amou tanto as pessoas e queria fazer um estrago ainda maior no reino de Satanás (1Jo. 3:8: “Para isto se manifestou o Filho de Deus: PARA DESTRUIR AS OBRA DO DIABO”). Mas Deus tinha propósitos para cumprir e não mais afastou a cruz de Cristo.
Então, a vida do Satanás ficou dificil: se matasse a Cristo estaria cumprindo a vontade de Deus, pois Cristo veio ao mundo para morrer pelos pecadores. Se não matasse, seria ainda pior, porque cada palavra que saia da boca de Cristo conquistava milhares de pessoas para o reino de Deus, rachava o reino de Satanás ao meio (Lucas 10:17-19), e dividia a história da humanidade em duas partes: antes e depois do Cristo. Quanto menos Jesus fosse percebido no mundo, melhor seria para o reino do diabo.
Assim, Satanás decidiu que seria melhor afastar Jesus Cristo o mais rápido possível da face da terra. E, de fato, ele fez isso, e usou Judas para entregar Jesus aos fariseus. E assim se cumpriu a profecia que dizia: “...TU LHE FERIRÁS O CALCANHAR”.
Satanás feriu o calcanhar do Senhor Jesus Cristo, perseguindo-o através da “segunda serpente”, até que seus pés carnais não mais estivessem pisando na face da Terra. Mas a respeito de Cristo estava escrito:
“Assim diz o Senhor: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel. TAMBÉM TE DAREI PARA LUZ DOS GENTIOS, PARA SERES A MINHA SALVAÇÃO ATÉ AS EXTREMIDADES DA TERRA” (Isaías 49:6).
“O bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o trabalho da sua alma, e ficará satisfeito” (Isaías 53:11).
“Então os judeus perguntaram: Que sinal miraculoso nos mostras para provar que tens autoridade para fazer isto? Respondeu-lhes Jesus: Destruirei este templo, e em três dias o levantarei de novo. Disseram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? ” (João 2:18-20).
Cristo morreu, mas ressuscitou ao terceiro dia. De fato, o templo foi reconstruído em três dias. Hoje, Jesus Cristo está assentado à direita de Deus:
“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Salmo 110:1).
O Senhor Jesus enviou-nos o Espírito Santo e continua falando através dos cristãos.
Judas foi apenas um jeito de apresentar-se aparentemente “aceitável” que Satanás usou para aproximar-se de Cristo, com a finalidade de ferir seu calcanhar.
Mas, quando Judas chegou com uma multidão armada com espadas e cassetetes para prender o Cristo e entregá-lo aos fariseus, Jesus não fugiu; pelo contrário, adiantou-se e perguntou:
“A QUEM BUSCAIS? Responderam-lhe: A Jesus de Nazaré. Disse-lhes Jesus: SOU EU. E JUDAS, QUE O TRAIA, ESTAVA COM ELES. Quando Jesus lhes disse: SOU EU, recuaram e caíram por terra. Tornou a perguntar-lhes: A QUEM BUSCAIS? E disseram: A Jesus de Nazaré. Respondeu Jesus: JÁ VOS DISSE QUE SOU EU”. (João. 18:4-8).
Cristo foi tão bom, fez tantos sinais miraculosos, suas atitudes provavam tanto que Ele era de fato o Messias e demonstrava tanto poder em suas mãos, que os soldados o temiam acima de tudo: “...recuaram e caíram por terra...”. E Jesus teve que repreender a todos firmemente para que fosse preso e levado aos fariseus: “Já vos disse que sou eu...”.
Jesus Cristo inutilizou Judas para mostrar ao mundo que não há espaço no reino de Deus para malandros. Deus exige a honestidade de todas as pessoas que desejam um dia morar nos céus.
E COMO FOI QUE CRISTO FERIU A CABEÇA DE SATANÁS?
Quando Deus criou o Lúcifer, a serpente e o homem, habitava em seu coração a essência de seu caráter: a verdade.
Para Deus, formar criaturas livres envolvia conceder-lhes opção de escolha, literalmente.
O homem, Lúcifer e a serpente seriam formados com opção de escolha. Eles seriam formados com liberdade. Mas em que consistiria a liberdade deles?
A LIBERDADE DO LÚCIFER: O ANJO DA LUZ.
(Lúcifer é um título metalinguístico criado pelo ser humano, que significa “anjo da luz”)
Lúcifer foi um poderoso anjo criado por Deus em razão do homem. Judas 1:9: “O Arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, NÃO OUSOU PRONUNCIAR CONTRA ELE JUÍZO DE MALDIÇÃO, mas disse: O SENHOR TE REPREENDA”. Veja que esse anjo tinha autoridade. Ele não estava ilegalmente no planeta.
Criar esse anjo foi diferente para Deus do que criar o homem. O homem estava destinado a ser um filho, enquanto Lúcifer foi criado para ser um anjo formoso com poderes especiais. Diante do Criador, ele não passava de um pequenino e indefeso anjo cantor, mas diante do homem ele poderia ser um “deus” respeitável em poder. Ele era muito querido e amado por Deus, nada lhe faltava.
Até esse momento, o homem ainda não existia; estava presente apenas no coração de Deus, mas o Lúcifer não sabia disso. Ele orgulhava-se de ser o “grande” anjo da luz.
Tudo ia muito bem, até que um dia sons inusitados começaram a ecoar pelos céus, anjos cantando: (Digo de forma poética) “Grandes são as obras das mãos de Deus: igual não se viu e igual não se verá. A sua imagem e semelhança o formará. De meu filho o chamará. Dará ordens aos anjos para o proteger de tropeçar nalguma pedra”.
Lúcifer então sentiu pela primeira vez desejo de usufruir de sua liberdade não para louvar ao Criador e o questionou no coração:
“Por que formar uma criatura ainda superior a mim em valor? E por que me incumbir de servi-la? ”.
Deus já esperava essa reação de Lúcifer, pois o havia criado com essa possibilidade. E Deus sabia: o momento de colocar a obediência e a desobediência diante do anjo havia chegado, Lúcifer seria provado.
Deus o amava, desejava-o no reino celestial, mas a decisão agora dependeria só do anjo. Se Lúcifer optasse pelo reino celestial, Deus arrancaria dele toda possibilidade de desobediência. Ele não teria mais como desobedecer ao Criador e seria ainda mais feliz com Deus.
Mas agora o Criador precisava expor as duas propostas ao anjo. A hora havia chegado. E então Deus apresentou a Lúcifer tudo sobre o plano original.
Assim, Lúcifer descobriu que não era a obra principal do Criador, mas que a grande obra do Senhor seria o homem.
O homem seria formado à imagem e semelhança de Deus, e os anjos o serviriam, porque ele seria uma criatura muito especial: ele seria um filho.
Foi então que Lúcifer se irritou. Ele sentia-se grande demais para ter que viver agora para proteger o homem de tropeçar em alguma pedra. Em Mateus 4:6, o Diabo disse a Jesus “E lhe disse: Se tu é o Filho de Deus, lança-te daqui para baixo. Pois está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e eles te segurarão na mão, para que não tropeces em alguma pedra”.
O LIVRE ARBÍTRIO.
Deus jamais havia dito a Lúcifer que ele seria a grande obra do Criador. Foi o próprio Lúcifer que se encantou consigo mesmo, com seu cargo, e decepcionou-se com Deus. Ele queria ser o centro das atenções. E, no plano de Deus, o centro das atenções seria somente o Criador. Deus não abre mão de sua glória (Isaías. 42:8).
Todo o plano estava agora diante do anjo. Deus havia esclarecido o plano para o Lúcifer. Mas havia ainda a necessidade de esclarecer o lado perigoso de tudo. Lúcifer foi criado por Deus por causa do homem. O homem havia sido criado com livre arbítrio. Mas como ter livre arbítrio diante de um único Deus? E se o homem resolvesse rejeitar o seu Deus Criador, por qual outro deus o homem poderia optar?
Se existisse somente um Deus disponível na face do planeta terra, o livre-arbítrio do homem seria incompleto.
Diante do Criador, Lúcifer era um grãozinho de areia, mas diante do homem ele poderia ser um deus. Formar o homem com livre arbítrio exigia criar também a opção de outro deus. Então Deus criou esse outro “deus”, que um dia foi Lúcifer, mas que hoje é Satanás.
“Eu formo a luz, e crio as trevas, e faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas” (Is. 45:7). O resultado da ausência da luz são as trevas; o resultado da ausência da paz é o mal. Deus é a paz. Existe sempre as duas opções, não porque Deus quer, mas por ser inevitável. Deus é direito: não se vende nem aceita suborno. O homem desprezou a luz, veio as trevas.
Jamais foi a vontade de Deus que Lúcifer optasse por se tornar esse anjo terrível que hoje conhecemos como Satanás. Deus havia esclarecido tudo a Lúcifer. E se ele dobrasse os joelhos em adoração diante do Criador e confessasse:
“Eu renuncio a possibilidade de ter para mim um reino próprio. Eu renuncio ser um deus possível de ser optado pelo homem. Eu renuncio a possibilidade de ser venerado pelo homem na face da Terra...”.
Então, Deus arrancaria dele toda possibilidade de maldade e ele seria sempre um grande anjo de luz para o louvor da glória de Deus, pois verdadeiro há só um Deus. Somente o Criador dos céus e da terra é eterno e onipotente. Os outros deuses sãos fictícios, isto é, inventados, não deuses por essência, conforme o próprio Criador disse:
“Por mim mesmo jurei, a minha boca proferiu, com toda a integridade, uma palavra que não tornará atrás: Diante de mim se dobrará todo joelho, e por mim jurará toda língua”. (Is. 45:23).
“Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos Deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno” (Deuteronômio 10:17).
O homem, no estado original, era uma criatura inocente, e, sem Satanás para semear a semente da maldade em seu coração (Mt 13:27-28), ele continuaria sendo essa criatura inocente, sem motivos para desobedecer ao Criador, - e isso era o que Deus queria. Mas o Satanás deu motivos ao homem para desobedecer; motivos falsos e enganosos que foram apresentados ao homem através da serpente. Satanás havia se tornado como um deus, e fez exatamente essa proposta ao homem: “...sereis como Deus...” (Gn 3:5), e mentiu dizendo que ele não morreria caso desobedecesse: “...Certamente não morrereis (Gn 3:4).
Se Satanás não tentasse, o homem não teria desobedecido. Mas Deus não impediria a tentação caso Lúcifer decidisse se rebelar. A possibilidade do homem ser tentado era uma das exigências da verdade de Deus para a criação da raça humana, mas apenas a possibilidade, não a tentação propriamente dita; Deus a ninguém tenta, conforme lemos em Tiago 1:13: “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, E ELE A NINGUÉM TENTA”.
Permitindo a possibilidade, ainda que a tentação não viesse a acontecer, a justiça de Deus estaria satisfeita e o mundo continuaria sendo aquele mundo bom que Deus criou no inicio de tudo. Se Lúcifer permanecesse fiel, tudo estaria encerrado em relação à tentação, pois ela não teria deixado de acontecer por falta de possibilidade, mas porque aqueles que poderiam fazê-la acontecer a renunciaram em louvor da glória de Deus. Isso seria suficiente para que a justiça do reino de Deus fosse satisfeita. Mas sabemos que isso não ocorreu; lúcifer optou por tentar, e Deus não impediu a tentação por causa do livre arbítrio do homem.
Enfim, o Lúcifer agora estava diante de Deus e tinha uma decisão a ser tomada. Ele teria de decidir. E infelizmente aconteceu o que não tinha necessidade de acontecer, Deus não queria que acontecesse, mas sabia que aconteceria e de fato aconteceu, Lúcifer optou por um reino próprio, optou por afastar-se da presença de Deus, optou por ser o outro deus possível de ser optado pelo homem na face da terra. E de fato hoje ele é isso. O apóstolo Paulo disse referente o Satanás:
“O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4:4).
Lúcifer tornou-se Satanás. Deixou de ser o anjo da luz para se tornar o deus das trevas. Ele tornou-se no adversário dos homens (I Pedro 5:8). Mas antes dessa decisão, Deus o avisou das curvas desse caminho. Deus deixou bem claro o que aconteceria caso optasse por se tornar Satanás. Deus esclareceu:
1 – O reino de Satanás não seria eterno. Ainda que fosse perdurar por milhares de anos, no tempo certo e determinado seria destruído.
2 – Satanás iniciaria seu reino no mundo através do primeiro Adão (Lc 4:6), e teria seu reino destruído pela vinda do segundo Adão, que é Cristo, o Senhor.
“Tendo eles chegado ao outro lado, à terra dos gadarenos, saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindo dos sepulcros. Eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho. De repente gritaram: Que temos nós contigo, Jesus Filho de Deus? VIESTE AQUI NOS ATORMENTAR ANTES DO TEMPO? ” (Mt 8:28-29; 1Jo 3:8).
Jesus Cristo disse:
“O Espírito do Senhor está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, A PROCLAMAR LIBERDADE AOS CATIVOS, E A ABERTURA DE PRISÃO AOS PRESOS, E ANUNCIAR O ANO ACEITÁVEL DO SENHOR E O DIA DA VINGANÇA DO NOSSO DEUS”. (Lc 4:18; Is. 61:1). Só faltou Jesus falar: “Estive ansioso por este dia!”.
Pobre Satanás: o ano aceitável do seu fim havia chegado e o dia da vingança de Deus contra ele também.
3 – Por fim, Satanás seria lançado em um lago de fogo e enxofre, juntos com os anjos que também se rebelaram contra o Criador, e ainda com todos os seres humanos que viveram de acordo com a sua vontade.
“E então dirá aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).
“Então vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele. Da presença dele fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se livros. Abriu-se outro livro, que é o da vida. Os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o além deram os mortos que neles havia, e foram julgados cada um segundo as suas obras. Então a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo” (Apocalípse 20:11-15).
“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta” (Ap 20:10).
Ainda assim, Lúcifer optou por se tornar Satanás.
A possibilidade de ter para si um reino próprio, de ser venerado pelo homem ao invés de servi-lo, e o fato de que seu reino duraria milhares de anos, fizeram com que ele se afastasse da presença de Deus.
Por sua liberdade ele assinou um contrato com Deus. Mas hoje ele está colhendo as consequências de sua escolha.
O REINO DE SATANÁS ACABOU EM CRISTO.
Antes da vinda de Cristo ao mundo, Satanás aprisionava pessoas, e não era fácil escapar de suas garras quando ele invadia a vida de alguém que havia se envolvido com ele ou havia sido consagrada a ele, ainda que fosse criança (Marcos 9:21 “...desde a infância”).
Mas Cristo veio ao mundo e acabou com o domínio do Satanás. Hoje, só fica aprisionado quem quiser, quem não entregar sua vida a Cristo, quem não usar o nome do Senhor Jesus Cristo para sua libertação. O tempo do Satanás acabou, esgotou-se.
Hoje, Satanás só permanece na vida de uma pessoa se não for expulso em nome do Senhor Jesus Cristo, pois Satanás se dobra de joelhos diante do nome do Senhor Jesus Cristo.
Mas ele é teimoso e quer ser servido e venerado pelo homem; ele é enganador. Contudo, Cristo o derrotou por você e por mim.
“Agora é o tempo do juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (João 12:31).
“E expulso o demônio, falou o mudo. AS MULTIDÕES SE ADMIRAVAM, DIZENDO: NUNCA TAL SE VIU EM ISRAEL! ” (Mateus 9:33).
“Voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos submetem. Disse-lhes Jesus: EU VI SATANÁS, COMO RAIO, CAIR DO CÉU. Eu vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lucas 10:17-19).
Satanás está ferido, perdeu o poder sobre o ser humano; não pode mais impor-se sobre a vida de uma pessoa, pois pode ser expulso em nome do senhor Jesus Cristo, e o dia de sua destruição total já está marcado. Cristo o tem sob controle para o momento certo de destruí-lo completamente:
“Eu sou o que vivo. Fui morto, mas estou vivo para todo o sempre! E TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO INFERNO” (Ap 1:18).
Cristo feriu a cabeça de Satanás, está assentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, aguardando apenas o dia certo para acabar totalmente com o reino de Satanás.
“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Salmo 110:1).
E assim o Senhor Jesus Cristo feriu a cabeça de Satanás e a profecia que dizia: “...ESTE TE FERIRÁ A CABEÇA”, se cumpriu.
A LIBERDADE DO HOMEM: A OBRA PRINCIPAL DO CRIADOR.
Não é nenhum mistério que Deus formou o homem com inteligência e liberdade. O livre arbítrio foi concedido por causa da inteligência. Não seria possível criar um ser inteligente sem o direito e a capacidade de decidir por si mesmo.
Deus fez o homem com livre arbítrio.
Parei aqui
EM QUE CONSISTE A LIBERDADE DO HOMEM?
Consiste em fazer uma escolha entre dois fatores. Todo ser humano está dividido entre dois deuses e dois paraísos.
Cada deus tem um paraíso a oferecer. Quem usufruir do paraíso terrestre não usufruirá do paraíso celestial, porque já está gozando de sua recompensa aqui na terra.
Em Mateus 6:1-5 está escrito que havia uma classe de pessoas, os escribas e fariseus, que gostavam de orar e jejuar para serem vistos pelos homens.
Jesus Cristo disse que os que oram e jejuam de maneira sincera serão recompensados no céu, mas também afirmou que os escribas e os fariseus não seriam, porque já estavam recebendo sua recompensa aqui na Terra.- serem vistos e aplaudidos pelos homens.
Jesus ensinou que devemos renunciar as coisas deste mundo e buscar as recompensas no céu.
Quem busca as recompensas deste mundo não receberá as recompensas do paraíso celestial, porque já está recebendo sua recompensa e seu galardão aqui na terra.
Deus formou o homem com inteligência e, consequentemente, com livre- arbítrio. Mas como ter livre-arbítrio diante de um único Deus? Como ter livre- arbítrio diante de um único caminho?
E se o homem decidisse rejeitar seu Deus Criador, por qual outro deus o ele poderia optar, caso houvesse somente um Deus na face da Terra?
E se o homem resolvesse rejeitar o paraíso oferecido por Deus, por qual outro paraíso ele poderia optar?
Deus, então, criou outro paraíso para o homem e também criou outro deus para ele.. Custos de uma raça inteligente e livre. Assim, o homem ficou dividido entre dois deuses e dois paraísos.
O planeta terra é um paraíso para quem ama o que a Bíblia chama de “Coisas do mundo. Soberba da vida, concupiscência da carne e dos olhos” (1João 2:15-17); e o deus deste paraíso é o Satanás (2Corintios. 4:4; 1João 4:4, 5:19).
O céu é um paraíso, e seu Deus é o Senhor Criador. Quem decidir usufruir do paraíso terrestre não poderá usufruir do paraíso celestial.
Quem venerar o Deus celestial herdará a vida eterna e o paraíso celestial, e quem venerar o deus terrestre herdará o paraíso terrestre e, quando morrer fisicamente, o inferno do deus que escolheu agradar.
Satanás é um deus no mundo, e este mundo é um paraíso possível de ser escolhido e usufruído pelo ser humano. Porém, só há uma maneira de se usufruir deste paraíso terrestre: OPONDO-SE AO DEUS CELESTIAL, conforme está escrito:
“Adúlteros e adúlteras, não sabeis que A AMIZADE DO MUNDO É INIMIZADE COM DEUS? PORTANTO QUALQUER QUE QUISER SER AMIGO DO MUNDO CONSTITUI-SE INIMIGO DE DEUS. Ou pensais que em vão diz a Escritura que o Espírito que ele fez habitar em nós tem intenso ciúme? SUJEITAI-VOS, POIS, A DEUS. MAS RESISTI AO DIABO, E ELE FUGIRÁ DE VÓS. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Lavai as mãos, pecadores, e vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai, converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” (Tiago 4:4-10).
O texto diz: “...vós de duplo ânimo...”. Duplo ânimo, isto é: querer viver com Deus, mas também agradar a este mundo, que tem por deus o diabo. Animado para Deus, mas também animado para as coisas do mundo. Por isso a passagem registra:
“Sujeitai-vos, pois, a Deus, MAS RESISTI AO DIABO...”.
Não dá para se sujeitar a Deus E NÃO RESISTIR AO DIABO. Não dá para ficar com os dois. Ele considera que isso é adultério. Está está escrito:
“Ou pensais que em vão diz a Escritura que o Espírito que ele fez habitar em nós tem intenso ciúme?”.
Não dá para venerar o Deus do céu e o deus do mundo. O homem está dividido entre Deus e o diabo, entre o paraíso celestial e o paraíso terrestre.
Tiago escreveu: “Adúlteros e adulteras”. Quem venera o deus deste mundo é traidor para com Deus.
E também escreveu:
“Não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”.
Quem se volta para as coisas do mundo é traidor para com Deus. Quem venera este mundo descarta o reino celestial para si. Quem venera o deus do mundo descarta o Deus celestial. Não podemos ter dois deuses. O Criador exige ser o único Senhor.
O homem foi formado com livre-arbítrio, e sua liberdade consiste em poder optar por este paraíso terrestre em que vivemos ou optar pelo paraíso celestial, que aguarda os filhos de Deus. Além disso, ele optar pelo deus deste mundo ou optar pelo Deus do mundo celestial.
Quem opta pelo Deus celestial está renunciando o paraíso terrestre, mas herdará o paraíso celestial. Quem opta pelo paraíso terrestre usufruirá do paraíso terrestre, mas perderá o paraíso celestial.
Bom é viver justa e piedosamente no mundo. É bom usufruir das coisas permitidas por Deus neste mundo, que são muito boas e ainda nos permite ir para o céu morar com Deus.
A raça humana é um sonho no coração de Deus. Não estamos prontos, mas Deus está no controle de tudo. Jesus Cristo disse:
“Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17).
Muita gente perguntava: POR QUE DEUS NÃO DESTRÓI LOGO O SATANÁS?
Deus não destrói logo Satanás porque tem um contrato com ele em respeito ao livre-arbítrio do homem. Enquanto existirem seres humanos no mundo, também terá que existir outro deus possível de ser escolhido por eles; caso contrário, esses seres humanos não teriam um livre-arbítrio completo, que oferece condição de escolha.
É possível expulsar Satanás da face da Terra, mas para isso seria necessário a união de todos os seres humanos, simultaneamente, no sentido de rejeitá-lo em nome do Senhor Jesus Cristo. Em respeito ao nosso livre- arbítrio ele teria que sair. Porém, se um único ser humano dissesse: “Eu quero que Satanás continue aqui”, então ele poderia permanecer por causa desse único ser humano que o desejou. Por isso é difícil expulsar Satanás da face da Terra.
Mas não é dificil expulsá-lo da nossa vida. Eu não posso, sozinho, expulsar Satanás da face do planeta Terra, mas posso expulsá-lo da minha vida. Eu posso dizer:
“Eu renuncio o reino de Satanás, eu rejeito o reino do Satanás; eu rejeito o Satanás e seus demônios; eu não quero e não permito o Satanás na minha vida; sai da minha vida, sai da minha família, sai da minha casa, em nome do Senhor Jesus Cristo, amém”.
A salvação é pessoal; cada ser humano precisa confessar Jesus Cristo como Senhor e expulsar o mal da sua vida, pois cabe a cada um não deixar o mal voltar, já que, quando ele volta, volta ainda pior. (Mateust 12:43-45).
Mas o importante é que Deus está no controle da situação. Não estamos desamparados. Temos um Deus que nos ama, protege e honra as nossas decisões, porque nos fez com livre-arbítrio.
Se você optar por Deus, o Criador te honrará e um dia você se encontrará no paraíso celestial ao lado de seus irmãos em Cristo.
Se você optar pelo mal, Deus também honrará sua escolha, mas o seu final será ruim de todas as formas.
Mas se você não quer o mal e deseja o bem, então una-se aos que buscam o Senhor e:
“Andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda a sorte de impureza ou cobiça, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; nem torpeza, nem conversa tola, nem chocarrices, que não convêm, mas antes ações de graças. Pois bem sabeis isto: Nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Ef. 5:2-6).
Judas não se comportou assim; ao contrário; ele amou o mundo. Por sua desonestidade, foi o escolhido para consumar a mais vexativa história de traição da humanidade. Ao trair a Cristo, acima de tudo, traiu a si mesmo. Que conosco não seja assim, pois a história vai se repetir, conforme está escrito: “Assim como o joio é queimado e lançado no fogo, ASSIM SERÁ NA CONSUMAÇÃO DESTE MUNDO. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lança-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA”. (Mateus 13:40-43).
Que ninguém dê jeito de se encaixar na terrível fôrma que esta profecia constitui.
AMÉM
Claudinei Nunes Pereira.