A oração de um justo
PODE MUITO EM SEUS EFEITOS A ORAÇÃO DE UM JUSTO, MAS É PRECISO TOMAR CUIDADO: SER VERDADEIRAMENTE JUSTO.
Deus criou as leis da física. Ele não é limitado por elas, mas escolhe respeitá-las. Deus interfere nas leis da física apenas por um motivo justo e quando deseja.
O que poderia ser considerado um motivo justo para Deus?
A Bíblia diz: “PODE MUITO EM SEUS EFEITOS A ORAÇÃO DE UM JUSTO” (Tiago 5:16-18).
O justo é uma pessoa que age conforme a justiça, julga e procede segundo a equidade. O justo em Cristo se comporta assim. Quem tem Cristo tem obra; quem não tem obra, ainda que diga que tem a Cristo, na verdade não o tem (Tiago 2:14-26). A oração de um justo pode levar Deus a interferir até mesmo nas leis da física, com o propósito de demonstrar Seu zelo e poder. Jesus andou sobre o mar, e Pedro também (Mt 14:22-32). Como Deus realizou essa interferência? É possível que um anjo estivesse sustentando os pés de Jesus e de Pedro enquanto andavam sobre as águas do mar. É assim que Deus intervém nas leis da física: enviando anjos, ventos ou qualquer outro meio que Ele deseje para mudar as circunstâncias. Êxodo 14:21: “Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar-se o mar por um FORTE VENTO oriental toda aquela noite e fez do mar terra seca. As águas foram divididas”.
Os anjos são invisíveis e reais, assim como o vento é invisível, mas não deixa de ser real por causa disso. De qualquer forma, podemos dizer que, por um motivo justo, Deus interfere nas leis da física. Contudo, Ele é justo e não descumpre Suas próprias leis, mesmo sendo supremo. Um homem não pode andar sobre as águas; as leis da física não permitem isso naturalmente. No entanto, Jesus e Pedro andaram, o que foi algo surpreendente.
É importante observar que não é a oração em si que tem poder, mas a oração de um justo é que pode mudar tudo. O mistério não está na oração, mas no orador. Uma pessoa mal-intencionada, que não tem o desejo de mudar sua vida, pode até orar, mas sua oração não terá grande valor diante de Deus, porque o que importa para Ele não é apenas a oração, mas a vida de quem ora.
Os demônios disseram a alguns judeus que tentaram expulsar espíritos malignos usando o nome de Jesus: “Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?”. E o que aconteceu com eles? “Saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa. E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido” (Atos 19:13-20). Mal-intencionados, suas orações não valeram nada. É bom observar que eles não tiveram a intenção de ajudar aquela pessoa, queriam apenas aplausos.
O ser humano, por si só, é muito pequeno para que Deus interfira nas leis da física. O cumprimento normal dessas leis em qualquer evento não pode ser alterado apenas porque a causa envolve um ser humano. É preciso mais do que ser humano; é necessário ser um humano justo, que ora ao Senhor. Pelo simples fato de ser humano, Deus não interferirá nas leis da física. Satanás, o inimigo de Deus, observa todas as ações do Criador. Se Deus, por exemplo, salvar um ser humano que não ora ou que não tem ninguém orando por ele de um acidente grave, de uma doença mortal ou de um ato criminoso violento, Satanás exigirá de Deus que faça o mesmo por todos os outros seres humanos da Terra, sejam eles justos ou injustos. Caso Deus interferisse a favor de alguém que não ora, teria que interferir em favor de todo o mundo, ou deixaria de ser justo. Ele não poderia agir com dois pesos e duas medidas, nem discriminar pessoas. Mas Deus é justo, e ter dois pesos e duas medidas não condiz com Sua natureza, nem com a de qualquer outro ser justo. Mesmo que Satanás não existisse, Deus continuaria agindo da mesma forma, porque Satanás não é nada para Deus. Um único sopro de Deus é suficiente para destruí-lo. Deus não se preocupa com Satanás; Ele se preocupa consigo mesmo. Deus é santo e não deseja deixar de ser santo. Por isso, não pode descumprir leis, sejam elas quais forem. Para interferir a favor da humanidade em qualquer lei, Deus precisa de um motivo justo. A oração de um justo é esse motivo justo. É o direito legal que Deus tem, diante de Sua santidade, para interferir em favor da humanidade sem deixar de ser justo.
Por outro lado, no reino de Deus, não existem regras ou fórmulas que o homem possa cumprir mecanicamente para ser abençoado. Não há um ritual, uma fórmula repetitiva, ou uma "alavanca" que, quando acionada, mova automaticamente o braço de Deus e garanta que tudo dará certo. Se fosse assim, as pessoas desprezariam Deus e focariam apenas na alavanca, automatizando sua relação com Ele. Mas Deus quer relacionamento, ouvir palavras, argumentos, e ser convencido. Deus valoriza um coração sincero e uma conexão plena com aqueles que O buscam (Jeremias 29:10-13). Deus não assinou um contrato com o homem comprometendo-se a preservá-lo na face da Terra porque ele ora e é justo. Deus ama o justo que ora e o abençoa simplesmente porque aprecia e admira isso, não por obrigação. “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: COMPADECER-ME-EI DE QUEM ME COMPADECER, E TEREI MISERICÓRDIA DE QUEM EU TIVER MISERICÓRDIA” (Rm 9:14-15). Mateus 20:11-15, v. 15: “Não tenho eu o direito de fazer o que quiser com o que é meu”.
Deus não pode proteger um injusto que não ora ou que não tem ninguém que ore por ele, porque isso significaria tornar-se cúmplice da corrupção. Deus tem um compromisso absoluto com a honestidade e jamais poderia se tornar cúmplice da corrupção. No entanto, com o justo, Deus não tem um contrato que o obrigue a mantê-lo vivo na face da Terra. O que Deus tem é um compromisso de protegê-lo, mas a melhor proteção é estar no colo de Deus.
Portanto, mesmo que um justo ore ao Senhor, se Deus decidir levá-lo para o céu, ele levará. E Deus não deixará de ser justo por isso, porque Sua obrigação é somente proteger, e na visão de Deus o melhor lugar é o céu. Quem chega lá jamais deseja voltar para cá, mesmo que Deus mudasse de ideia. No monte da transfiguração, Pedro experimentou uma sensação tão boa que disse a Jesus: “Senhor, BOM É ESTARMOS AQUI. Se queres, façamos aqui três abrigos – um para ti, um para Moisés e um para Elias” (Mt 17:4). Pedro disse: “...BOM É ESTARMOS AQUI...”. O que se passava na cabeça de Pedro? “COMO É BOM ESTARMOS AQUI, QUE SENSAÇÃO MARAVILHOSA!”. Ele não se preocupou com o que ia comer, vestir ou como viver ali. Tudo o que queria era permanecer naquele lugar, viver ali, estar ali, sem jamais sair. Para Pedro, aquilo era bom demais. Nada mais importava. Ele não queria voltar à rotina. O mundo parecia insosso, sem sentido, um desperdício de tempo, um lugar sujo e abafado. A presença de Deus era tão maravilhosa que Pedro não queria sair dali.
Na visão de Deus, há apenas um momento em que o ser humano pode verdadeiramente dizer que tem um problema: se um dia acordar e descobrir que está no inferno. Nesse caso, sim, ele pode afirmar que tem um problema. Fora isso, na visão de Deus, o ser humano tem apenas probleminhas. Para Deus, proteger significa livrar do inferno. Tudo além disso é bondade e misericórdia extraordinária. A maior miséria do ser humano na Terra não é sua saúde debilitada, o aluguel caro ou outros desafios cotidianos, mas sim a possibilidade de terminar sua existência no inferno. O que vai além disso não é problema, mas apenas probleminha. Afinal, “O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? (Mt. 16:26) O homem não é um corpo que possui uma alma, mas uma alma que possui um corpo, um corpo que não tem garantia e tem um prazo de validade curto: “O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio de dificuldade” (Jó 14:1). Contudo, a alma é eterna. Por isso, o foco de Deus está na alma, pois, enquanto o corpo, bem ou mal tratado, inevitavelmente retornará ao solo, a alma precisa de um destino. Para onde ela irá?
Essa é a verdadeira preocupação de Deus: a alma. Outro critério é o da sorte. Às vezes, um ser humano se envolve em um acidente pequeno que normalmente não ofereceria risco de morte, mas, de forma inacreditável, termina em tragédia. Outras vezes, um ser humano se envolve em acidentes graves, onde tudo indicaria a morte, mas ninguém morre, e tudo termina em risos. Isso é sorte; não depende de ser justo ou de orar. É lei da física. Da mesma forma que Deus não interfere para proteger o injusto, Ele também não interfere para prejudicá-lo em caso de sorte. Se a lei da física não causar sua morte em um acidente, Deus permite que ele viva, até mesmo por mais de cem anos, caso sua saúde coopere. Nem tudo o que acontece na face da Terra é um milagre. A lei da física é neutra: ela não é boa nem má. Se a conta resultar em morte, ela mata; caso contrário, ela salva, independentemente da gravidade do acidente ou de quem está envolvido. Por exemplo, as pessoas que usam carros equipados com airbags escapam de acidentes graves com muito mais frequência do que aquelas que não os usam. O mesmo vale para o uso do cinto de segurança. Isso mostra que escapar de acidentes graves depende, em grande parte, de nós mesmos, e não apenas de milagres, pois podemos interagir com as leis da física para possibilitar livramentos incríveis. Deus nos deu essa capacidade.
Deus tem controle absoluto sobre as leis da física e pode interferir para salvar um justo que ora, se assim desejar. Tudo isso me fez lembrar de um filme que assisti há algum tempo, onde um homem estava participando de uma prova para conquistar um bom emprego. Eram vinte competidores para uma vaga. Todos os anos a história se repetia: vinte competidores e uma vaga. Em certo ano, os competidores estavam lá, cada um com sua prova, caneta e papel na mão. Foi então que o responsável pela prova lhes disse: “Não pensem que o mais importante do concurso seja tirar dez. No ano passado só um competidor tirou dez, e ele não foi o escolhido. Mas eu lhes dou um conselho: TIREM DEZ”.
Da mesma forma, conforme vimos anteriormente, no reino de Deus não existem regras que o homem possa cumprir para garantir que permanecerá vivo na face da Terra pelo tempo que desejar. Ser justo e orar não é uma garantia de que seremos sempre protegidos por Deus para continuarmos vivos aqui, pois, como vimos, não existe uma alavanca que possamos acionar para obter proteção constante. No entanto, Deus nos dá um conselho: “SEJAM JUSTOS E OREM”; em outras palavras, conforme o filme, TIREM DEZ (Deuteronômio 18:13, Mateus 5:48).
Os que tiram dez são os escolhidos de Deus para viverem mais aqui, MAS NEM TODOS. É essa a lição que podemos tirar do exemplo do filme. É melhor estar sob a proteção de Deus, por meio da justiça e da oração, do que ter a certeza de que Ele nunca protegerá. A história revela que os justos que oram escapam de acidentes graves em proporção muito maior do que os justos que oram e são levados por Deus aos céus. Acidentes acontecem com os justos; os justos também sofrem acidentes, mas, na maioria das vezes, escapam da tragédia. No entanto, quando Deus deseja, Ele leva o justo para morar com Ele. Pode ocorrer um acidente, ou o justo pode adoecer, e Deus pode decidir não curá-lo para permanecer na Terra, mas levá-lo para os céus. Digo isso como testemunha ocular dos fatos aqui no mundo.
Nas nossas orações, podemos tentar convencer Deus a nos deixar viver mais tempo aqui na Terra. Na Bíblia, há o exemplo de um homem que orou, e Deus lhe acrescentou quinze anos de vida. Esse homem era Ezequias. Ele era justo e dedicado à oração, mas, mesmo assim, Deus inicialmente desejava levá-lo para os céus. “Naqueles dias Ezequias adoeceu e estava perto da morte. O profeta Isaías, filho de Amóz, veio ter com ele, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe a tua casa em ordem, PORQUE MORRERÁS E NÃO VIVERÁS” (IIReis 20:1). Mesmo sendo justo e dedicado à oração, Deus desejava levar Ezequias para os céus. No entanto, Ezequias queria permanecer mais tempo na Terra. E o que ele fez? Ele orou ao Senhor, conforme está escrito: “Então virou Ezequias o rosto para a parede, E OROU AO SENHOR. Ah! Senhor! Lembra-te que andei diante de ti com fidelidade e integridade de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos. E Ezequias chorou muito” (IIReis 20:2-3). E o que aconteceu? Deus atendeu à oração de Ezequias, como vemos no texto: “Não havendo ainda Isaías saído do pátio, veio a ele a palavra do Senhor: Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor Deus de teu pai Davi: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eu te curarei. Ao terceiro dia subirás à casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos. E das mãos do rei da Assíria livrarei a ti e a esta cidade. Defenderei esta cidade por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo” (IIReis 20:4-6). Deus atendeu à oração de Ezequias, mas Sua vontade inicial era levá-lo para os céus, para que ele estivesse protegido no reino de Deus.
A Bíblia ensina que Deus tem prazer na morte dos santos, como está escrito: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos”. Por que Deus tem prazer na morte dos santos? Porque eles vão para um lugar maravilhoso, de onde não desejarão sair. Os céus são extraordinários. O melhor lugar para se viver é lá, como a Bíblia ensina. É como sair do útero materno para ganhar o mundo: uma transição para algo muito melhor. Por isso, Deus tem prazer na morte dos santos. Por outro lado, Ele não tem prazer na morte do ímpio, conforme está escrito: “Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor, NÃO TENHO PRAZER NA MORTE DO ÍMPIO, mas que o ímpio se converta do seu mau caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; por que morrereis, ó casa de Israel” (Ez 33:11). Deus não tem prazer na morte do ímpio porque sabe que, ao morrer, ele não irá para um bom lugar. Deus prefere que o ímpio permaneça vivo, para que tenha a chance de se converter de seus maus caminhos e viver. Somente então Deus terá prazer em sua morte. A finalidade de Deus é testar a fidelidade da pessoa; uma vez esta aprovada, ela já está pronta para o céu; daí Seu prazer na morte dela, porque ela está aprovada. Sem tal aprovação, é preferível que ela continue viva para eventual posterior conversão. Por outro lado, Satanás tem prazer na morte do ímpio, pois deseja o mal para ele a qualquer custo.
Quando Deus deseja levar alguém para os céus, não há direito legal para impedi-lo. No entanto, Ezequias orou, e Deus mudou Sua decisão, abençoando-o. A Bíblia também fala sobre Enoque, um homem justo: “Andou Enoque com Deus, e já não era, porque Deus para si o tomou” (Gn 5:24). Enoque era justo, e Deus o levou para os céus. Quando Deus deseja levar, Ele leva. A Bíblia também menciona Natanael, um homem justo e dedicado: “Quando Jesus viu Natanael aproximar-se, disse a seu respeito: Aqui está um verdadeiro israelita, em quem não há nada falso” (Jo 1:47). O que Deus fez com Natanael? Ele não o levou para os céus. Deus decidiu não levá-lo. Isso mostra que não basta ser justo para que Deus leve alguém para os céus; tampouco basta ser justo e orar para que Deus permita que alguém permaneça na Terra. O Senhor tem vontade própria e planos específicos para cada ser humano. Embora seja difícil fazê-Lo mudar de ideia, a oração de um justo pode muito em seus efeitos.
Ezequias orou, e Deus acrescentou quinze anos à sua vida, mesmo após ter anunciado que seus dias na Terra haviam terminado. Deus mudou de ideia por causa da justiça e da oração de Ezequias. Realmente, pode muito em seus efeitos a oração de um justo. Quando há interesse em viver bastante tempo aqui na Terra, é preciso equilíbrio. Para viver mais, três aspectos importantes devem ser observados:
PRIMEIRO. Os médicos também estão sujeitos às mesmas doenças que tratam em seus pacientes, e alguns, de fato, morrem por essas mesmas enfermidades. Eles não são donos da vida. No que diz respeito a viver bastante tempo aqui na Terra, os médicos oferecem uma excelente contribuição, mas nem sempre uma solução definitiva. Graças a Deus por eles e pelas contribuições que nos proporcionam, mas a realidade é que não possuem controle absoluto sobre a vida. Sendo assim, NÃO É BOM DEPENDER SOMENTE DELES.
SEGUNDO. É PRECISO TOMAR CUIDADO. Jesus Cristo disse que os filhos das trevas são mais ágeis do que os filhos da luz (Lc 16:8). Muitos ímpios conscientes, ou seja, aqueles menos tolos, cuidam de sua saúde com extrema diligência, justamente por saberem que suas atitudes perante Deus não são boas. Eles fazem exames médicos periodicamente, não fogem dos médicos, não fumam e mantêm uma alimentação saudável. No trânsito, dirigem com cautela, aceleram pouco e prestam mais atenção que o normal. Eles agem assim porque sabem que devem para Deus e, por isso, procuram evitar riscos que possam antecipar as consequências de suas ações erradas.
Já alguns filhos da luz, por acharem que ser justo se resume em pagar boletos em dia, acreditam que podem descuidar de sua saúde. Não fazem exames médicos regularmente, evitam consultas, consomem alimentos não saudáveis. No trânsito, aceleram além do permitido e confiam demasiadamente na proteção de Deus, afinal: “São tantas as promessas de proteção de Deus na Bíblia, que não precisamos nos preocupar”. O resultado dessa atitude, em muitos casos, tem sido o fim de carreira. Jesus Cristo disse: “Não tentarás ao Senhor teu Deus”. O fato de uma pessoa ser justa e fiel na oração não lhe dá o direito de viver irresponsavelmente. Isso é tentar a Deus. Veja o texto: “Então o diabo o levou à cidade santa e o colocou sobre o pináculo do templo. E lhe disse: Se tu és o Filho de Deus, lança-te aqui abaixo. Pois está escrito: AOS SEUS ANJOS DARÁ ORDEM A TEU RESPEITO, E ELES TE TOMARÃO NA MÃO, PARA QUE NÃO TROPECES NALGUMA PEDRA. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: NÃO TENTARÁS O SENHOR TEU DEUS” (Mt 4:5-7).
O diabo não mentiu ao citar para Jesus uma promessa das Escrituras a respeito de proteção. Ele realmente apresentou uma verdade. Contudo, Jesus não se lançou do pináculo porque sabia que, embora existissem promessas de Deus sobre proteção, não se deve tentar o Senhor. Quantos cristãos, confiando nas promessas de Deus, têm "se lançado do pináculo" e se machucado? Quando um cristão acelera acima do permitido ou se arrisca de propósito, ele deixa de agir como justo em potencial, e, consequentemente, sua oração perde muito de seus efeitos. Da mesma forma, quando um cristão negligencia sua saúde, ele também perde seu potencial de justiça e, com isso, o poder de sua oração diminui. O justo respeita as leis de trânsito; o que não respeita não pode ser considerado justo em potencial. O justo zela por sua saúde; o que não zela por ela também não pode ser considerado justo nessa área. Consequentemente, sua oração perde muito de seus efeitos. Jesus não se lançou do pináculo para nos ensinar que não devemos tentar a Deus, mesmo sabendo que Ele nos prometeu proteção.
Viver de forma imprudente — acelerando além do normal, negligenciando a saúde, fugindo dos médicos — é tentar a Deus e pode terminar em morte prematura. A Bíblia nos diz que, enquanto estava na Terra, Jesus tinha à sua disposição setenta e dois mil anjos (Mt 26:53), sendo que um único anjo foi capaz de destruir cento e oitenta e dois mil soldados em uma noite (2 Reis 19:35). Ainda assim, Jesus não se lançou do pináculo do templo, mesmo afirmando: “Ou pensas tu que eu não poderia orar a meu Pai, e ele me mandaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26:53).
Quantos cristãos, por terem anjos acampados ao seu redor (Salmo 34:7), acabam acelerando mais do que deveriam, descumprindo leis, fugindo dos médicos e, em outras palavras, lançando-se do pináculo abaixo e se machucando. Jesus, enquanto esteve na Terra, foi o servo mais perfeito em fazer a vontade de Deus. Ele nos ensinou que Deus é soberano sobre todas as coisas, mas que não devemos jamais tentá-lo. Em outras palavras, NÃO PODEMOS FORÇÁ-LO A NOS SOCORRER. Se nos encontramos em perigo por uma fatalidade, temos crédito diante de Deus; caso contrário, estamos tentando a Deus, o que pode levar a consequências ruins. Jesus orava como ninguém jamais orou, mas, mesmo assim, não tentava a Deus.
Ele evitava situações perigosas, como vemos no relato: “Então os fariseus saíram e começaram a conspirar sobre como matar a Jesus. Sabendo disso, JESUS RETIROU-SE DAQUELE LUGAR (Mt 12:14). Essa atitude me lembra uma frase de Jesus que se aplica bem aqui, independentemente de seu contexto original: “Sede simples como as pombas, MAS PRUDENTES COMO AS SERPENTES” (Mt 10:16; 10:23). Jesus ensinou que devemos buscar o equilíbrio. Deus espera equilíbrio de nós para nos curar e nos abençoar com prazer. O equilíbrio consiste em orar e não se lançar do pináculo abaixo, ou seja, orar e não tentar a Deus. Resumindo: não devemos nos apegar somente aos médicos, mas também orar; e não devemos somente orar, mas também buscar a ajuda dos médicos. Esse equilíbrio toca o coração de Deus e O faz nos abençoar com prazer. O justo em potencial age dessa forma. E assim deve agir quem deseja viver bastante tempo aqui na Terra: orar e agir. Em outras palavras, orar porque os remédios nem sempre alcançam o objetivo; mas também tomar os remédios, porque Deus não se deixa ser tentado. Deixar de tomar os remédios prescritos? Somente com a certeza de uma palavra específica e atual de Deus. A soberania não está do lado do ser humano em relação a Deus; a soberania pertence exclusivamente a Deus em relação ao ser humano. Por isso, o comportamento humano deve ser marcado por humildade, que está diretamente ligada ao equilíbrio. A palavra humildade, de acordo com sua etimologia, vem de “húmus”, que significa “terra fértil.” Procurar os médicos quando necessário, tomar os remédios indicados e orar com paixão pela vida é ADUBAR O MILAGRE DE DEUS.
TERCEIRO. O PLANETA TERRA É UM LUGAR AMALDIÇOADO. Qual é a visão de Deus sobre o mundo em que vivemos? É a de um lugar amaldiçoado. Em Gênesis 3:17b, Deus disse a Adão: “...maldita é a terra por tua causa...”. Conforme lemos no texto, Adão foi a causa dessa maldição. Mas o que ele fez de tão errado para causar uma tragédia tão grande? O erro de Adão foi dar ao Satanás o direito de espaço no planeta Terra, conforme descrito em Lucas 4:6, onde Satanás disse a Jesus: “Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, POIS A MIM ME FOI ENTREGUE, e a dou a quem eu quiser”. Adão entregou a Satanás o direito legal de atuar aqui na Terra. O problema é que Satanás odeia a raça humana e, sabendo que seus dias estão contados diante de Deus, ele se torna ainda mais perverso contra a humanidade. Depois que Satanás entrou no planeta, tudo começou a desmoronar: Adão e Eva se desentenderam, Caim matou Abel, e a família se desestruturou. Esses eventos, por si só, já seriam suficientes para causar um grande caos, mas as coisas pioraram ainda mais. A destruição tomou novas formas: os animais passaram a ser alimento uns dos outros; o regime do mundo tornou-se competitivo, onde uma tribo via a outra como adversária; o ser humano passou a enxergar o próximo como um degrau ou um empecilho para alcançar sucesso; a desigualdade surgiu: enquanto alguns tinham demais, outros passavam fome; escravidão, guerras, assassinatos, suicídios, fraudes e mentiras tornaram-se comuns. Além disso, a morte tornou-se uma realidade para todos os seres vivos do planeta. No Éden, não havia morte. Lá, a vida com sangue não era consumida. Isso só passou a acontecer após Adão entregar o mundo ao Diabo. A entrada de Satanás no planeta trouxe caos e destruição, alterando a ordem natural e introduzindo sofrimento em todos os aspectos da vida humana.
“POR TUA CAUSA A TERRA É MALDITA”. Por este motivo Deus nos diz na bíblia: “Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo, e o mundo passa; bem como as suas concupiscências, mas aqueles que fazem a vontade de Deus permanecem para sempre” (I João 2:15-17).
“Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).
“Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jáz no maligno” (IJoão 5:19).
Jesus Cristo orou pelas pessoas, mas se negou a orar pelo mundo. Por que Ele fez isso? Porque viu que este mundo não tem conserto. “...NÃO ROGO PELO MUNDO...” (Jo. 17:9b).
Na concepção de Deus, se uma pessoa chorar, o mundo é maldito. Se uma pessoa ficar doente, o mundo é maldito. Se uma pessoa morrer, o mundo é maldito. Deus jamais conceberia que um ser humano pudesse chorar de dor em um mundo abençoado; se apenas uma pessoa chorar, esse lugar não pode ser considerado abençoado. Aqui no mundo, há sempre alguém chorando a cada instante; por isso, Deus preparou para nós um mundo verdadeiramente abençoado, onde ninguém morre, ninguém chora, ninguém lamenta, ninguém sente dor ou qualquer outra sensação ruim. Um vislumbre desse mundo maravilhoso está descrito no Apocalipse, como lemos: “E ENTÃO VI UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA...”. Depois destas coisas olhei, e vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas...”; “...e o número deles era de milhões de milhões, e milhares de milhares, proclamando com grande voz: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber poder e riqueza, e sabedoria e força, e honra, e glória e louvor”. “VI TAMBÉM A CIDADE SANTA, A NOVA JERUSALÉM, QUE DE DEUS DESCIA DOS CÉUS, ATAVIADA COMO UMA NOIVA PARA O SEU NOIVO”. E ouvi uma grande vóz vinda do trono, que dizia: AGORA O TABERNÁCULO DE DEUS ESTÁ COM OS HOMENS. Deus habitará com eles, e eles serão o seu povo, E O PRÓPRIO DEUS ESTARÁ COM ELES, e será o seu Deus. DEUS ENXUGARÁ DE SEUS OLHOS TODA LÁGRIMA. NÃO HAVERÁ MAIS MORTE, NEM PRANTO, NEM CLAMOR, NEM DOR, pois já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado no trono disse: EIS QUE FAÇO NOVAS TODAS AS COISAS”.
Há um contraste evidente entre este mundo e o mundo de Deus. Este mundo é um lugar perigoso; já o céu é um lugar abençoado, seguro e muito bom. Sendo assim, não é de se estranhar que Deus tenha prazer na morte dos santos, pois eles vão para um lugar maravilhoso! A vontade de Deus é ver Seus filhos perto de Sua presença. Por isso, se alguém deseja viver bastante tempo aqui na Terra, precisa evitar situações perigosas, pois o recado de Deus para essa pessoa é: “Eu não tenho prazer no planeta terra. Por isso, quando um filho meu vem para perto de mim, isso não me entristece, mas ao contrário, muito me alegra, porque é mais um filho meu que saiu do mundo mal para o meu mundo maravilhoso”. O interesse de Deus é ver Seus filhos no céu, livres deste mundo mal. Portanto, se uma pessoa quer viver bastante tempo aqui, essa é uma escolha pessoal dela, pois o interesse de Deus, de forma geral, é ter Seus filhos perto de Si. O recado de Deus para quem deseja viver bastante tempo na Terra é claro: “Se você quer viver bastante tempo na terra, então evite ficar doente, porque a doença, geralmente, traz o ser humano mais rapidamente para perto de mim. Se você quer viver bastante tempo no planeta terra, então evite se acidentar, porque os acidentes, geralmente, trazem o ser humano mais rapidamente para perto de mim”.
O ser humano deseja viver bastante tempo na Terra, e Deus respeita essa vontade. Por outro lado, Deus deseja ter o ser humano perto de Sua presença. Assim como Deus respeita o desejo do ser humano de viver mais tempo aqui — não provocando acidentes ou doenças para encurtar sua vida — Ele também respeita Sua própria vontade de ter o ser humano morando no céu. Portanto, se alguém deseja viver bastante tempo aqui, precisa fugir de situações perigosas e cuidar de sua saúde. O interesse de Deus, no geral, é nos ver logo perto de Sua presença, mas Ele não força essa vontade.
Os interesses, então, entram em conflito. Deus não manipula as circunstâncias para que Sua vontade se cumpra imediatamente, mas também não impede que os eventos sigam seu curso natural. Ele não provoca doenças para que o ser humano morra logo, também não atrapalha a possibilidade de cura por meio da ciência. No entanto, se o ser humano vacilar — isto é, não cuidar de sua saúde ou agir de forma imprudente, como acelerar demais — uma tragédia pode acontecer. Nesse caso, o desejo de Deus de ver o ser humano perto de Si poderá se cumprir por meio das próprias atitudes de quem morreu. A morte do justo é lucro para Deus. Por isso, se alguém deseja viver bastante tempo aqui, precisa equilibrar as coisas. Vivemos em um mundo perigoso, e o interesse de Deus, no geral, é nos ter perto de Sua presença. Então, quem deseja viver bastante tempo na Terra precisa tomar cuidado.
Quando confessamos Jesus como Senhor, deixamos de pertencer a este mundo mal (João 17:16). Nesse momento, saímos da maldição, passamos a fazer parte do reino de Deus, e a vida torna-se plena de paz e esperança, mesmo no planeta Terra. O mundo não deixa de ser maldito por causa disso, mas a pessoa que confessou Cristo descansa no Senhor. Ainda que enfrente aflições aqui, ao morrer, irá para um lugar maravilhoso. Quando Jesus Cristo disse: “Vinde a mim todos vós que estai cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei...”, Ele estava falando da proposta de Deus de um lugar maravilhoso para viver. Jesus disse: “APRENDEI DE MIM, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas”. Descansar em Cristo é viver na Terra com os olhos voltados para o céu. Jesus sempre falava do céu. Aprender de Jesus é aprender sobre o céu, e descansar n’Ele é trazer um pedacinho do céu para a Terra. Esse descanso começa de dentro para fora, e o canal é o coração. Jesus Cristo também disse: “Quem crê em mim, como diz as Escrituras, do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7:38). Por isso, embora possamos planejar viver bastante tempo aqui na Terra, devemos lembrar as palavras de Jesus: “...alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lucas 10:20b). E se cuidar: ser justo em sua plenitude.
AMÉM!
Claudinei Nunes Pereira